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03 de novembro de 2026

Apolíticos pagam para atacar apoiadores rivais no PL nas redes

POLITICA PL 03/11/2026 07:00 Reportagem Folhapress / Notícias ao Minuto Brasil noticiasaominuto.com.br

Apolíticos bolsonaristas revelaram que receberam ofertas de dinheiro para atacar apoiadores de alas rivais do partido nas redes sociais. Segundo relatos e mensagens analisadas pela Folha, as ações incluíam bloqueios, uso de robôs e campanhas contra aliados do deputado Nikolas Ferreira. Os valores chegaram a R$ 100 por perfil alvo, com instruções para cancelar, bloquear e silenciar adversários. O caso envolve críticas a Eduardo Bolsonaro e questionamentos sobre o uso de verba partidária para ataques políticos coordenados.

Políticos apoiadores de Jair Bolsonaro afirmaram, em transmissões ao vivo e publicações na rede X, que receberam ofertas de pagamento para atacar, nas redes sociais, apoiadores de alas opostas do próprio PL. De acordo com conversas e mensagens trocadas na plataforma, integrantes do partido teriam financiado ataques virtuais a adversários internos na legenda.

As principais afirmações foram feitas na live Space Arena, fórum no X organizado pelo apoiador bolsonarista identificado como Rafael Cavalcanti, que realizava discussões com pessoas de direita em frequência quase semanal desde, ao menos, o começo da pré-campanha eleitoral.

Na transmissão de 25 de agosto, os usuários conversaram sobre uma lista de 50 perfis que estariam na mira de alas rivais do partido. Entre entradas e saídas, foram 58 participantes na live. A transmissão foi pública e estava salva no perfil de Cavalcanti antes de a conta ser desativada. Ela estava ativa até pelo menos o dia 21 de outubro.

Propaganda de ataques no Facebook

Nas mensagens trocadas entre os apoiadores, as instruções incluíam bloquear perfis, silenciar e usar bots em ataques contra os rivais. Parte das orientações teria partido de Eduardo Bolsonaro, segundo um dos usuários identificados. A Folha procurou o ex-deputado por mensagem enviada a seu número pessoal e por meio de seu aliado Paulo Figueiredo, que respondeu que Eduardo disse desconhecer o episódio.

Os perfis citados são de apoiadores ativos nas redes e alinhados a diferentes alas do bolsonarismo. Na conversa sobre as possíveis articulações, os apoiadores reclamaram com um dos participantes sobre os ataques que estariam ocorrendo dentro da própria direita. O objetivo dos que comandavam as ofensas, segundo os depoimentos, era enfraquecer alas opostas dentro da coalizão.

O "fogo amigo" entre bolsonaristas foi identificado por aliados do PT que monitoravam possíveis ataques a nomes da esquerda nas plataformas digitais. A Folha compilou esses relatos e confirmou a veracidade dos perfis. Além dos que participaram da conversa transmitida em live, aqueles que fizeram publicações escritas também são pessoas reais, e não bots (robôs de publicações automatizadas). As contas em questão estão ativas desde ao menos 2021.

  • Apresentam ofertas de pagamento de R$ 100 por perfil alvo
  • Alvos incluem apoios a Nikolas Ferreira
  • Usam bots e bloqueios como táticas
  • Listas com mais de 50 nomes para eliminar do ar
  • Educardo é supostamente autor das ordens

"Chegou para mim que chegou uma lista para você com 50 nomes, te oferecendo dinheiro pra você cancelar essa pessoa. Cancelar, bloquear e não dar voz. É verdade isso", questiona um dos participantes durante a live no Space Arena.

Outro usuário confirma a existência de uma lista, mas nega ter aceitado fazer os ataques remunerados. Questionado sobre quanto custava o pedido, ele confirma o valor de R$ 100 por cada nome e diz: "Não me vendi".

Campanhas pagas para apoiar candidatos

O participante afirmou, ao longo da conversa, ter recebido dinheiro para fazer campanha fora das redes para nomes do PL, ainda na fase de pré-campanha.

"Eu ia fazer umas campanhas aqui no Twitter, tinha alguns pré-candidatos (...) do PL tinha alguns nomes. Enfim, não vou citar esses nomes, não sou bobo, que são figuras carimbadas", diz.

"Não estou apoiando pré-candidatos aqui no Twitter [antigo nome do X], mas fora do Twitter estou apoiando pré-candidatos, estou recebendo dinheiro fora do Twitter", afirma.

Em publicações posteriores à live, outros perfis voltaram a mencionar as instruções recebidas para os ataques coordenados. Dessa vez, o comando teria partido de Eduardo Bolsonaro, segundo um relato, contra apoiadores do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).

Nikolas foi alvo de críticas públicas de Eduardo Bolsonaro, que o acusou de não se engajar na campanha de Flávio Bolsonaro (PL) na etapa da pré-candidatura. Como mostrou a Folha, Nikolas citou o senador em apenas 10 dos 544 posts que fez no X em cerca de quatro meses daquele período.

O baixo engajamento na campanha presidencial se tornou motivo de conflito na direita. Parte dos bolsonaristas, principalmente o grupo ligado a Eduardo, acusou Nikolas de esconder o senador em busca de protagonismo próprio. O deputado mineiro e seus aliados defenderam que o papel dele era desgastar o presidente Lula (PT) e aumentar a mobilização em torno das pautas conservadoras.

Um dos usuários disse estar entre os citados na lista de 50 perfis alvos dos ataques e questionou se a perseguição virtual estaria sendo financiada por verba partidária. Em publicação na sequência, ele questionou o próprio PL.

"É isso que sua campanha está disposta a fazer, @FlavioBolsonaro @plnacional_", escreveu.

A reportagem também procurou a assessoria do PL e da campanha de Flávio Bolsonaro por WhatsApp e por e-mail, mas não obteve retorno. A Folha não conseguiu contato com Rafael Cavalcanti, anfitrião da Space Arena.